Intro

A Holanda é um dos grandes centros de referência do design gráfico mundial. Talvez esse reconhecimento se deva a um apoio sério e continuado do governo no sentido de fazer com que as empresas se utilizem de projetistas profissionais para o desenvolvimento de seus produtos. Por volta das décadas de 1960 e 1970 o design holandês iria ser largamente valorizado, principalmente pelo próprio governo em seus projetos de sinalização e mobiliário urbano, publicações, cédulas e selos postais.

Dessa forma, minha coleção de selos da Holanda é na verdade uma pesquisa em design gráfico disfarçada. Através dela tenho aprendido muito a respeito da história do design no século XX, e em particular sobre esse pequeno país. Desde a década de 30, a Dutch PTT - Postal Telegraph and Telephone (hoje TNT Post) vem trabalhando com grandes nomes do design gráfico mundial na confecção de selos postais. Designers, ilustradores e tipógrafos como Piet Zwart, Ootje Oxenaar, Wim Crouwel, Gert Dumbar, Gerrit Noordzij, Van Krimpen, Willem Sandberg, MC Escher, Paul Schuitema, Peter Bilak, Karel Martens entre outros, já deixaram suas marcas na filatelia.

A partir de uma listagem de autores - gravadores, designers e fotógrafos destacados por questão de relevância, tenho criado verbetes biográficos onde a produção profissional de cada um é resumidamente apresentada.

bom passeio!

selo postal holandês, coletivo DEPT, 1997.

Wim Crouwel

Wim Crouwel é tipógrafo e designer gráfico, nascido na Holanda na cidade de Groningen em 1928. Iniciou seus estudos em artes plásticas em 1946 na academia de arte Minerva (Groningen) onde teve contato com o trabalho do cartazista art decô A M Cassandre. Reconhecido pela qualidade de suas ilustrações, os projetos do artista francês também se destacavam pelo aspecto plástico e refinado dos alfabetos que desenhava. Essa característica teria servido como o estopim do interesse pessoal de Crouwel no desenvolvimento de suas primeiras experiências tipográficas.

Em 1952, após completar seus estudos preliminares, Crouwel muda-se para Amsterdam e sob a orientação do professor Charles Jongejans inicia uma promissora carreira como designer gráfico. Ao lado de seus colegas Otto Treumann e Dick Elffers, Wim Crouwel destacava-se com trabalhos de grande investigação formal, aprofundando sua linguagem gráfica em uma vasta gama de cartazes, calendários e peças de publicidade - tendo como principais clientes museus e fundações de arte.

O trabalho de Crouwel baseava-se sobretudo na criação de letterings gerados a partir de estruturas geométricas e sistemas modulares, assim como na utilização racional das grades de construção - inspirado no tradicional design gráfico suíço. Interessado por novas tecnologias, Crouwel estendeu o uso dessas estratégias aos novos meios eletrônicos de geração de imagens, como os monitores dos primeiros microcomputadores e as máquinas de fotocomposição. Por conta deste interesse, entre 1965 e 67, desenvolve seu mais conhecido projeto tipográfico: o sistema 'new alphabet'. Nesta experiência radical, o designer propõe um alfabeto projetado especialmente para os equipamentos de fotocomposição, criando letras estritamente geométricas adaptadas aos recursos de visualização da nova tecnologia. O projeto torna-se rapidamente objeto de crítica e reflexão, contestado pela pouca legibilidade da proposta, mas respeitado por antecipar questões relativas às novas possibilidades tecnológicas.

Em 1963 Crouwel funda com mais quatro colegas o primeiro coletivo de design gráfico dos Países Baixos, o estúdio Total Design, que se manteve em atividade até a década de 80. O estúdio tornou-se mundialmente conhecido pela abordagem racional e funcionalista de seus projetos, tornando-se um dos ícones do Estilo Internacional.

Ainda em 1963, desenvolve seu primeiro projeto filatélico para a empresa Dutch PTT. Ao lado de Otto Treumann, Wim Crouwel seria responsável por transformar a filatelia holandesa num universo de experimentação gráfica sem paralelos no resto do mundo, retomando após 30 anos o mesmo espírito de vanguarda antecipado por Piet Zwart, Kiljan e Schuitema. Especialmente na década de 70, Wim Crouwel é um dos profissionais responsáveis pelo que há de mais interessante e moderno no design filatélico mundial, influenciando com seus trabalhos projetistas do mundo inteiro.

Em 1976, desenvolve uma série de selos permanentes utilizando uma de suas experiências tipográficas mais bem sucedidas - a família Gridnik. Neste trabalho Crouwel faz uso do alfabeto inicialmente projetado para uma máquina de escrever da Olivetti, que não chegou a ser produzida. As letras são construídas dentro de uma grade geométrica respeitando a angulação de 45° em suas diagonais. O selo (exclusivamente tipográfico) circulou ao longo de 25 anos, deixando de ser emitido apenas em 2001.

Entre 1985 e 1993, torna-se diretor do Museu Boijmans Van Beuningen em Rotterdam, envolvendo-se com diversas exposições e atividades acadêmicas, lecionando em importantes escolas européias.

Ao longo de sua carreira, Wim Crouwel não havia efetivamente produzido nenhum de seus alfabetos, utilizando-os apenas em seus próprios trabalhos. No final da década de 90, encontra-se com o designer e tipógrafo inglês David Quay: sócio e responsável pelos projetos comercializados na distribuidora inglesa The Foundry. Desse encontro são produzidos arquivos digitais dos alfabetos de Crouwel, ampliando e imortalizando suas experiências tipográficas. O conjunto desenvolvido apresenta as famílias Gridnik, New Alphabet, Fodor, Catalogue e Stedelijk.

Aos 80 anos, Wim Crouwel ainda é um importante membro da cena contemporânea do design gráfico holandês, trabalhando como freelancer e consultor.

1. Wim Crouwel e seus projetos tipográficos lançados pela the Foundry.

2. selos postais permanentes criados por Crouwel, 1976.

3. alfabeto Gridnik, desenvolvido inicialmente para Olivetti, 1976.

4. selo postal para feira de Osaka, 1970.

5. new alphabet: experiência tipográfica, 1965.

6. detalhes do sistema tipográfico proposto por Crouwel.

7. selos postais em homenagem ao movimento de Stijl, 1983.

8. cartazes desenvolvidos por Wim Crouwel, 1960 e 1967.

Irma Boom

Nascida na cidade holandesa de Lochem em 1960, Irma Boom é considerada um ícone na área do design de livros, sendo reconhecida internacionalmente pela criatividade e beleza de seus projetos.

Após estudar pintura na escola de arte Enschedé, Irma trabalhou por 5 anos no desenvolvimento de projetos editoriais para o governo holandês, até abrir seu próprio estúdio de design em 1991 na cidade de Amsterdam. Nesse período iniciou seu projeto editorial mais ambicioso: um livro de 2.136 páginas comemorativo dos 100 anos da empresa holandesa de gás SHV, concluído em 1996. Pelo conjunto de sua obra, a designer holandesa tornou-se a mais jovem laureada pelo prestigioso prêmio Gutenberg de literatura, oferecido pelos organizadores da feira de Leipzig.

Desde 1993 Irma leciona design na escola de Yale (USA) e orienta projetos na tradicional academia Van Eyck de Mastricht, na Holanda - além de contribuir regularmente com artigos e entrevistas para publicações especializadas.

Ao longo dos últimos anos, Irma Boom vem participando ativamente no design filatélico dos países-baixos, exercitando seu talento e sua inventividade em suportes bem menores que os livros que costuma projetar.

1. livro desenvolvido para distribuidora de gás holandesa SHV, 1996.

2. selos homenageando os 85 anos de Nelson Mandela, 2003.

3. catálogo desenvolvido para a empresa Vitra, 1998.

4. selos desenvolvidos por Irma Boom, 1993.

5. projeto editorial premiado na tradicional feira de Leipzig, 2002.

6. selo postal desenvolvido por Irma, 1997.

Max Kisman

Max Kisman, nascido em 1953, é considerado por muitos a 'ovelha negra' do design gráfico holandês. Apesar de sua formação técnica – graduou-se em 1977 na Gerrit Rietveld Academy de Amsterdam – seu trabalho tem por característica não respeitar os princípios clássicos do design racional ensinado na maioria das escolas européias.

Trabalhando com ilustração, tipografia, animação e impressos, desenvolveu uma linguagem gráfica bastante particular reconhecida pela ironia, simplicidade e pelo poder de comunicação de suas composições. Ainda no meio da década de 80 foi um dos pioneiros no desenvolvimento de ilustrações digitais, veiculadas em revistas, cartazes, selos e campanhas publicitárias.

Em 1987 desenvolveu para a empresa de correios da Holanda uma série de três selos em homenagem à Cruz Vermelha Internacional, trabalhando em parceria com os técnicos da tradicional gráfica Joh. Enschedé. Os selos foram os primeiros no mundo a serem impressos a partir de uma arte digital: direto do seu computador pessoal Amiga foram produzidos os filmes de impressão.

O aspecto naïf das suas colagens digitais é complementado por experiências tipográficas desenvolvidas pelo próprio – a maioria comercializada ou distribuída gratuitamente na sua foundry Holland Fonts. Atualmente Kisman mora na Califórnia, onde desenvolve projetos para clientes nos EUA e Europa. Também leciona design gráfico, motion graphics e animação na College of Arts and Crafts de San Francisco, e ensina tipografia nos cursos de extensão da Universidade de Berkely, na mesma cidade.

1. peças publicitárias criadas por Max Kisman.

2. série de selos desenvolvidos para Cruz Vermelha, 1987.

3. programação visual do congresso TypeCon, de 2004.

4. mudança de endereço: selo postal holandês, 2001.

5. selos desenhados por max kisman para fundo infantil, 2007.

6. FF Fudoni: cruzamento da Futura com a Bodoni, Kisman 1991.

7. selos de Natal desenvolvidos por Max Kisman, 1994.

Gerard Unger

O professor Gerard Unger nasceu em Amsterdam, na Holanda, em 1942. Estudou design gráfico e design tipográfico de 1963 a 67 na Gerrit Rietveld Academy (Amsterdam) onde leciona há mais de três décadas. Desde então alia sua extensa produção acadêmica com uma atuação profissional de destaque, sobretudo no campo da tipografia e projetos de sinalização. Como professor visitante, orienta monografias no tradicional departamento de Tipografia e Comunicação Gráfica da Universidade de Reading, Inglaterra, e desde setembro de 2006 é professor de Tipografia na Universidade de Leiden, na Holanda.

Além de ser o responsável pela formação e orientação acadêmica de toda uma geração de tipógrafos, trabalha como freelancer desde 1975, tendo desenvolvido inúmeros projetos, como selos, moedas, revistas, jornais, livros, logotipos, fontes digitais, identidades corporativas e relatórios anuais, entre outros.

Recebeu diversos prêmios internacionais pelo conjunto de sua obra tipográfica, assim como teve seu projeto Swift agraciado em 1988 pelo prêmio Gravisie (Holanda). É autor ainda dos projetos Amerigo, Demos, Hollander, Oranda, Paradox, Argo, Flora e Praxis. Regularmente publica artigos científicos na imprensa internacional procurando sempre relacionar seus conhecimentos no segmentado âmbito da Tipografia com perspectivas culturais múltiplas.

Participou do desenvolvimento de alguns projetos filatélicos para a Dutch PTT.

1. par de selos projetados por Gerard Unger, Holanda 1990.

2. família tipográfica Swift, 1985.

3. projetos tipográficos: Oranda (1987) + Vesta (2001)

4. capa do livro ‘Terwijl je leest’ (while you’re reading), Unger 1995.

5. projetos de sinalização para rodovias e estações.

Neville Brody

Neville Brody é inglês - nasceu em Londres em 1957, mas também deu sua contribuição para a filatelia holandesa, mantendo a tradição deste país em prestigiar grandes profissionais das artes gráficas.

Formado pela London College of Printing (76-79) o designer gráfico, diretor de arte e tipógrafo Neville Brody mergulhou no universo da música independente ainda no início dos anos 80, construindo rapidamente uma reputação pela qualidade experimental de seu trabalho gráfico. Seus primeiros trabalhos foram capas de discos para gravadoras alternativas, onde começou a tomar forma uma linguagem inconfundível – que o tornaria um dos profissionais mais conhecidos do design gráfico internacional.

Na década de 80 esteve no comando da revista Face, onde desenvolveu um trabalho experimental responsável por revolucionar o design gráfico editorial. Dirigiu diversas outras publicações, assim como reformulou os jornais londrinos The Guardian e Observer, implementando projetos de enorme qualidade técnica e ainda assim explorando os limites da comunicação visual. Em seus trabalhos Brody exercitava a ferramenta tipográfica como poucos, muitas vezes desenvolvendo fontes digitais posteriormente lançadas no mercado. Em 1990 abre junto a Stuart Jensen a distribuidora Fontworks. Pouco depois torna-se diretor da FontShop International e lança a revista experimental de tipografia FUSE.

Ainda em 1988 publica a primeira de suas duas coletâneas 'The graphic language of Neville Brody 1 e 2' que rapidamente se transforma em um fenômeno de vendas no mercado editorial de design. Junto com o sócio Fwa Richards em 1994, Brody abre as portas da Research Studios: agência de design baseada em Londres onde viria a consolidar sua atuação no mercado editorial e corporativo. Desenvolve projetos para clientes espalhados por todo o mundo, como Japão, Holanda, França, Áustria, Alemanha, Reino Unido e Brasil. Atualmente a agência conta com filiais em Berlin, Nova Iorque e Paris.

Em 1992 a empresa de correios Dutch PTT contrata Neville Brody para desenvolver um conjunto de selos comemorativos da mostra Floriade - a maior e mais tradicional exposição de flores da Holanda. Nessa oportunidade, Brody usa pela primeira vez em um projeto comercial o programa de manipulação de imagens Photoshop, lançado pela Adobe em 1990. O trabalho desenvolvido ao longo de 4 meses é o resultado de uma intensa exploração das capacidades do programa, apresentando uma coleção de imagens onde o designer se aventura junto aos primeiros recursos de criação digital.

1. Capas dos livros The Graphic Language of Neville Brody 1 e 2.

2. Fonte digital FF Blur, Brody 1992.

3. Embalagens desenvolvidas para Macromedia, RS 1995-2001.

4. Trabalhos de Brody, revista FUSE + ICA.

5. Selos postais, série Floriade, 1992.

6. Experiências visuais desenvolvidas para o projeto Floriade, 1992.

Martijn Sandberg

Martijn Sandberg é um artista plástico holandês baseado em Amsterdam. Nascido em 1967, estudou Arte na Hogeschool voor de Kunsten, em Utrecht e na Rijksakademie van Beeldende Kunsten, em Amsterdam. Seu trabalho se caracteriza pela experimentação tipográfica e pela exploração de materiais e mídias inusitadas na construção de imagens-mensagens. Trabalhando muitas vezes com suportes tridimensionais, Sandberg explora o aspecto estrutural das letras (geralmente constituídas por módulos geométricos) na construção de imagens ambíguas que operam no limite da legibilidade. Desde 1992 expõe suas instalações regularmente pela Europa.

Em 2005, Martijn Sandberg foi convidado pela TPG Post para projetar um par de selos ordinários, impressos em rolos contendo 100 unidades auto-adesivas. Nos selos desenvolvidos o artista explora os conceitos de forma e contra-forma, invertendo-os no processo de construção da imagem. O valor do selo só é percebido quando interpretamos a área impressa (composta por pequenos pontos) como sendo o fundo da imagem, transformando o fundo (área do selo sem impressão) na imagem a ser lida. A estrutura que compõe a imagem é constituída por pontos que têm o mesmo tamanho da perfuração lateral do selo (picote), fazendo com que a imagem adquira valor tridimensional.

'I think it's very special to have had the opportunity to make a contribution to the history and development of the Dutch stamp, wich so powerfully reflects the design mentality so typical of our country's culture'. Martijn Sandberg, 2005.

1. selos desenvolvidos por Martijn Sandberg para Dutch TPG, 2005.

2. 'no image no message' corte a laser em alumínio, 2001.

3. 'we're only in it for the money' moeda: liga de cobre e níquel, 2000.

4. 'loading please wait' impresso, 2006.

Mauritus Cornelis Escher

Artista gráfico holandês, M C Escher nasceu em Leeuwarden em junho de 1898 e faleceu em Hilversum, em março de 1972. Freqüentou a Escola de Arquitetura e Artes Decorativas do Haarlem, onde começou a estudar arquitetura e, mais tarde, artes decorativas. Em 1922 deixou a escola para se juntar a Samuel Jessurun de Mesquita, que o iniciava nas técnicas da gravura, se dedicando ao desenho, litografia e xilogravura.

Seu trabalho geralmente apresenta construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Foi bastante influenciado por suas inúmeras viagens ao redor do mundo, nomeadamente a passagem por Alhambra, em Granada, onde conheceu os azulejos mouros. Este contato com a arte árabe está na base do interesse e da paixão de Escher pela divisão regular do plano em figuras geométricas que se transfiguram, se repetem e refletem pelas pavimentações. Porém, no preenchimento de superfícies, Escher substituía as figuras abstrato-geométricas usadas pelos árabes por figuras concretas, perceptíveis e existentes na natureza como pássaros, peixes, pessoas, répteis, etc. Projetou alguns selos para o correio holandês.

1. par de selos desenvolvido para o correio holandês em 1949.

2. selo comemorativo homenageando escher, 1998.

3. gravura colorida inspirada em arte moura.

4. desenho de escher auto-referente: mão desenhando mão.

5. gravura de escher explorando estruturas impossíveis: cascata.

Solar Initiative Design Studio

O Estúdio de Design Solar é um escritório de criação holandês fundado em 1998 pelos designers Jeannette Zuurbier, Marieke Muskens van Bemmel e Miguel Gori. O escritório é bastante versátil e se divide em duas frentes de trabalho: a divisão de fotografia e a divisão de design. A equipe de designers trabalha no desenvolvimento de projetos de identidade corporativa, capas, brochuras, design editorial, mídias interativas, web design, motion graphics e ambientação, geralmente servindo a grandes clientes nacionais e internacionais, como Nike, TPG Post, Delta Lloyd Group e etc.

No ano de 2006, o escritório desenvolveu um interessante trabalho para a empresa de correios da Holanda: um par de selos em movimento com a imagem animada de campeões olímpicos de patinação de velocidade: Ard Schenk (Sapporo 1972) e Yvonne van Gennip (Calgary 1988). Os selos utilizam modernas técnicas de impressão associadas à tecnologia de animação lenticular, apresentando uma pequena seqüência de 12 fragmentos originais do vídeo das corridas vitoriosas.

Apesar de tanta tecnologia e inovação, os pequenos filmes de papel custavam apenas 39 e 78 centavos de euro, e podiam ser comprados em qualquer agência dos correios.

http://www.solar.nl/design/motion/motion.php


1. selo animado, studio solar 2006.

2. projetos de identidade corporativa.

3. ambiente de trabalho, studio solar.

4: projetos de ambientação, cliente via milano.

Jan Toorop

Nascido em Java na Indonésia em 1858, Jan Toorop é reconhecido como um dos expoentes da pintura holandesa no período Art Nouveau. Ainda jovem mudou-se para a Holanda vindo a freqüentar diversas academias de Arte na Europa: estudou em Delft, em Amsterdan, em Brussels e, por volta de 1885 visitou Londres, onde acabou fortemente influenciado pelo trabalho de William Morris. Toorop desenvolveu um estilo complexo e carregado de esoterismo, que se baseava em uma mistura de motivos Javaneses (batik) com a arte linear do Simbolismo. Suas pinturas apresentavam curvas sinuosas, proporções alongadas e perfis estranhamente oblíquos em um esforço consciente para se conseguir um padrão complicado, delicado e entrelaçado, abrangendo toda a superfície do quadro.

Em 1923, Van Royen no comando da Dutch PTT encarregou Toorop de desenvolver um par de selos comemorativos, para promover o Fundo Nacional de Cultura. O estilo empregado nos selos se aproxima mais do trabalho desenvolvido em cartazes e peças publicitárias que das exóticas pinturas do artista. Toorop faleceu em 1928.


1. par de selos desenvolvidos para o correio holandês em 1923.

2. Jan Toorop: 'As Três Noivas' circa 1895.

3. poster em litografia (1894) e ilustração 'In the Woods' de 1895.

4. Jan Toorop: 'Fatalidade', de 1893.

5. Jan Toorop: 'Esfinge', circa 1896.

Peter Bilak

Peter Bilak não é holandês: nasceu na Eslováquia em 1973, estudou na Inglaterra, nos Estados Unidos, na França até se estabelecer na Holanda, na cidade The Hague, onde trabalhou em diversos escritórios de design, incluindo o tradicional estúdio Dumbar (criado por Gert Dumbar). Atualmente trabalha por conta própria desenvolvendo projetos editoriais, tipografia e web design.

Ao longo dos últimos anos, projetou diversas fontes para a empresa FontShop International, como FF Eureka, FF Craft, FF Masterpiece, trabalhando ainda na customização de tipografias para projetos de identidade visual. Em 1999 resolveu lançar sua própria foundry, a Typoteque, que funciona ainda como um portal voltado ao estudo da tipografia e do design de comunicação. Junto com Stuart Bailey, Peter Bilak coordena o projeto editorial dot-dot-dot: uma revista especializada em cultura visual, apresentando uma variedade de tópicos relacionados direta ou indiretamente ao design gráfico. Em 2000 foi responsável por organizar e coordenar uma importante exposição na Bienal de Design Gráfico de Brno - República Tcheca, sobre o trabalho de designers holandeses da atualidade. Seus trabalhos já foram apresentados em revistas como Abitare, HOW, I.D., U&lc, Page, Étapes Graphiques e em diversos livros. Complementando sua prática profissional, Peter Bilak orienta projetos na Royal Academy of Art, in The Hague (KABK) e na Art Academy, in Arnheim, além de regularmente ministrar palestra e workshops pelo mundo.

Em 2004, o designer foi convidado pela TPG Post (antiga PTT) a desenvolver uma dupla de selos ordinários nos valores de 39 e 78 centavos de Euro.

Nos selos criados por Peter Bilak, o designer constrói uma representação da Holanda a partir do ponto de vista aéreo, de quem observa o país contemplando o patchwork formado pelos campos cultivados. O selo de 39 centavos retrata os campos cobertos por flores, enquanto o de 78 centavos é uma interpretação dos bosques e prados holandeses. Com muita criatividade, Bilak utiliza o caractere tipográfico como unidade de construção, posicionando cada letra em uma espécie de moldura ou campo individual. Os campos são determinados pela largura dos caracteres, em uma clara referência a tradicional arte da impressão tipográfica - uma homenagem à rica história holandesa nessa área do design gráfico. A fonte utilizada é a Fedra Serif, um projeto de Peter Bilak.


1. representação tipográfica dos campos holandeses, selo postal 2004.

2. Fonte Fedra Serif, Typoteque 2003.

3. revista dot-dot-dot # 1.

4. Fonte FF Masterpiece, FontShop 1996.

Dick Bruna

Dick Bruna é escritor, artista e designer gráfico holandês, nascido em Utrecht em 1927. Sua mais famosa criação é a personagem Miffy, uma coelhinha desenhada com linhas simples e cores vivas, conhecida por crianças de diversos países. A personagem foi criada em 1955 para as histórias contadas a seu filho Sierk, na época com um ano de idade, e originalmente chamava-se Nijntje: pronúncia infantil da palavra ‘Konijntje’ que quer dizer ‘pequeno coelho’. Miffy se transformou em um projeto editorial de sucesso e teve sua família ampliada com vários outros personagens: um cachorro, um porquinho, irmãos-urso (entre outros) e uma criança desenhada no mesmo estilo: a pequena Lottie, que pode ser encontrada em diversas séries de selos da Holanda e do Japão. Além dessa tradicional série de livros infantis, Dick Bruna trabalhou projetando e ilustrando capas de livros para conhecidos autores holandeses.

1. a coelhinha Miffy, personagem infantil de Dick Bruna.

2. Lottie.

3. bloco de Dick Bruna, 2005.

4. selos postais, 1995.

5. selos de Dick Bruna para o Japão.

6. projetos de Dick Bruna para capas de livro.

Piet Zwart

No início do século XX, a Holanda, junto com a Alemanha e a Rússia, ocupou a vanguarda na evolução do design gráfico internacional. A mais original contribuição holandesa foi o trabalho de Piet Zwart, fotógrafo, tipógrafo e desenhista industrial. Nascido em Zaandijk em 1885, Zwart começou sua carreira como arquiteto, trabalhando para Jan Wils, membro original do grupo De Stijl e H.P. Berlage, designer da bolsa de valores de Amsterdam. Berlage, reconhecido como mentor de Zwart, era um teórico inflexível: acreditava que ‘a geometria não era apenas útil na criação da forma artística, mas era até mesmo absolutamente necessária’.

Como designer, Piet Zwart ganhou reconhecimento pelos trabalhos realizados para a Nederlandse Kabelfabriek Delft (tradicional fábrica holandesa de cabos) e para a empresa holandesa de correios e telégrafos – Dutch PTT. Trabalhando para a empresa NKF produziu um total de 275 designs – a maioria deles puramente tipográficos.

Por ser arquiteto, as ferramentas e técnicas utilizadas na época em que era projetista deram-lhe um extenso vocabulário geométrico: estava acostumado a usar os esquadros em diversos ângulos, a trabalhar com compassos e projeções em perspectiva. The Typotekt, como ficou conhecido, não aderiu às regras da tipografia tradicional e acabou se destacando como um dos pioneiros da moderna tipografia, ao usar os princípios básicos do construtivismo e do movimento De Stijl em seu trabalho profissional. Sua assinatura profissional era constituída pela letra P e um quadrado preto: em holandês ‘zwart’ quer dizer preto.

Seus projetos são identificados por apresentarem invariavelmente cores primárias, formas geométricas simples, padronagens tipográficas e pelo inovador uso da fotomontagem – técnica aprendida com o amigo El Lissitzki, em 1926. Em 1928, Zwart foi convidado a dirigir o departamento gráfico da Bauhaus, mas acabou dando apenas um curso na escola. Teve grande aproximação com Kurt Schwitters e Paul Schuitema – com este último desenvolveu o jornal quinzenal de vanguarda ‘De 8 em Ophbouw’ (O 8 e a Construção) que se utilizava das mais recentes técnicas gráficas.

Graças a Van Royen, diretor da PTT no início da década de 20 e funcionário da Associação dos Países Baixos para o Ofício e as Artes Industriais (organização que atuava como intermediária entre designers e seus clientes) Piet Zwart foi convidado a desenvolver selos postais para o governo holandês. Apesar de encontrar muita resistência, Royen persistiu em trazer uma nova abordagem ao produto filatélico, tendo como resultado – por um breve período dos anos 30 – peças gráficas concebidas 50 anos a frente do que era produzido no resto do mundo. Já no final da década, sob a iminência de uma ocupação nazista, a PTT assume uma postura mais cautelosa e conservadora – marcando o final de um período de experimentalismo. Durante a ocupação alemã (1940-45) a empresa é obrigada a assumir uma posição colaboracionista: Van Royen é afastado e morre em 1943 em um campo de concentração. Em virtude da iluminada tradição de designs criativos nos serviços públicos, levada adiante pelos discípulos de Zwart, a Holanda manteve sua importância na história do design gráfico internacional.

Trabalhou também como designer de móveis e de interiores, além de ser crítico de arquitetura, numa longa carreira que se estendeu até a década de 60. Piet Zwart morreu aos 92 anos, em 1977. Sobre seus projetos na PTT, afirmou:

“The postage stamp is a document of the times. It does not primarily pose an aesthetic problem and has nothing in common with a painting. The truly authentic postage stamp is one which displays the attributes of the period from which it comes, constitutes a synthesis of its originating idea and which is produced using contemporary technological methods. Any other basis is false and unworthy. Moreover, the stamp in use is part of a larger whole, the postal article, and thereby loses its independence. The conventional format, namely a symmetrical image along a vertical axis (in some cases horizontal), lends the stamp an autonomy which is not its due. Consequently, in my stamps I have adopted a dynamic composition, and have made corresponding use of the photographic and photo-technical reproduction methods so representative of our time. Whether the results are considered beautiful or ugly is of less importance.”

(Piet Zwart, Les timbres-poste des pays-bas de 1929 à 1939: 17 traduzido por David Scott para o livro ‘European Stamp Design – a semiotic approach to designing messages’, London: Academy Editions, 1995.)

1. selos postais, 1931 (70c) e 1933 (80c) - Wilhelmina.

2. selo postal, 1931 - Gouda Church Restoration Fund.

3. o design geométrico de Piet Zwart, década de 20.

4. anúncios para a empresa PTT, 1938.

Oxenaar, the money maker

Robert Deodaat Emile Oxenaar é nascido em Haia (The Hague) em 1931, e formado designer pela tradicional escola KABK – The Royal Academy of Art. Aos 76 anos de idade, Ootje como é conhecido, ainda leciona no departamento de design gráfico da Rhode Island School of Design, nos Estados Unidos. Entre 1966 e 1985 trabalhou para o Nederlandsche Bank (Banco Central Holandês) desenvolvendo uma nova série de cédulas para o florim: um trabalho reconhecido internacionalmente pela sua beleza e pela altíssima qualidade técnica.

Por sua determinação em fazer um bom trabalho, ele foi um dos responsáveis pela mudança de mentalidade dentro do então tradicional meio responsável pelas cédulas holandesas, o impressor Joh. Enschedé – empresa particular de Haarlem que vinha produzindo o papel-moeda holandês desde o início do século XIX. Nas cédulas por ele projetadas no final dos anos 60, os rostos dos retratados possuíam um tratamento gráfico diferente de tudo o que havia naquela época em se tratando de dinheiro: eram caricaturas, e não as tradicionais gravuras. Mais tarde, inovou também ao retratar a fauna e a flora, e elementos nacionais nas cédulas de 50, 100 e 250 florins.

Oxenaar é conhecido pelo aspecto lúdico de seu trabalho, tendo inclusive inserido mensagens secretas, imagens escondidas e referências pessoais nos projetos desenvolvidos para o banco central holandês. Com um trabalho de qualidade técnica irretocável, provou que um design funcional de bom gosto não precisa ser sisudo e sem vida. Na década de 80, trabalhou como diretor da empresa PTT (Dutch Postal Telegraph and Telephone) e projetou diversos selos postais ao longo dos últimos 40 anos.

Entrevista para a revista Creative Review: http://e-cr.co.uk/crblog/the-money-maker/

Esse verbete possui enxertos feitos a partir do projeto de graduação de Guilherme Tardin, para Esdi em 2000. As imagens do concurso do Euro foram cedidas pelo mesmo. Demais imagens: acervo pessoal e internet.


1. selo postal, 1968.

2. bloco da mesma série, 1968.

3. anverso da cédula de 25 florins.

4.1 anverso da cédula de 50 florins.

4.2 reverso da cédula de 50 florins.

4.3 detalhe do reverso da cédula de 50 florins.

5. proposta para o concurso do Euro, anverso da cédula de 100.

6. proposta para o concurso do Euro, reverso da cédula de 5.